
Em primeiro lugar, vamos começar definindo o que é uma carteira de crédito. Trata-se de um conjunto de todas as operações de crédito de uma instituição já concedidas e ainda a receber.
Na prática, a boa gestão de uma carteira de crédito é o que determina o funcionamento de um banco, financeiras e até de fintechs.
Como funciona a concessão de crédito para esta carteira? Ela começa na originação e passa por etapas de análise, concessão, gestão e liquidação da cobrança.
Confira o ciclo de vida de uma operação de crédito:

Mas, afinal, por que a carteira de crédito gera valor?
Toda instituição financeira capta recursos a um certo custo, seja por meio de depósitos, capital próprio ou emissão de dívida. Com esse recurso, a instituição empresta a uma taxa maior, para que exista lucro. O nome dessa diferença é spread, a principal fonte de receita.
Com essa lógica em mente, quanto maior for a carteira de crédito de uma empresa, maior e mais saudável será seu lucro, correto? Contando, é claro, que a inadimplência fique sob controle.
O grande problema é: nem todo mundo paga, o que faz com que as instituições financeiras antecipem prejuízos e perdas, preservando parte do seu patrimônio para cobrir a inadimplência, caso ela seja alta. Essa reserva se chama Provisão para Devedores Duvidosos, ou PDD.
O equilíbrio, então, é o fundamental para não ter prejuízo: emprestar mais sem deixar de proteger, já antecipando que nem todo mundo vai pagar.
Neste contexto, chamamos a Taxa de Inadimplência acima de 90 dias de NPL.
Como funciona o financiamento de uma carteira de crédito?
O processo de financiamento de uma carteira de crédito se chama funding. Para ter capital para a carteira, muitas vezes é preciso ter mais do que recursos próprios, e as instituições recorrem a securitização ou cessão de operações, via FIDC.
A sigla FIDC se refere ao Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios. Como o próprio nome diz, trata-se de um fundo em que o dinheiro dos investidores de uma instituição é aplicado em direitos creditórios, ou seja, em recebíveis. O que isso tudo significa?
Significa que a parcela usada do fundo será devolvida em fluxos futuros de pagamento dos empréstimos, financiamentos, duplicatas e parcelas de cartão de crédito.
A instituição financeira (banco, financeira ou fintech) cede sua carteira de operações para o fundo, que, por sua vez, paga por esse uso à vista e, em troca, passa a ter direito de receber as parcelas de devedores à longo prazo.

Dentro dessa estrutura, há uma hierarquia e cotas, que são divididas em camadas. A cota sênior é com maior prioridade de recebimento, porém corre menos riscos e rende menos. Já a cota subordinada é a que recebe por último, absorvendo os riscos de inadimplência da carteira de crédito, mas recebe mais por ser a de maior risco.
Por que isso tudo importa para quem pensa em finanças embarcadas?
Porque o FIDC funciona como um dos principais motores de crédito no Brasil, de forma que novas operações financeiras não precisam carregar todo o capital por conta própria. Ela organiza e usa um desses fundos, cedendo recebíveis e liberando capital para originar novas operações. A empresa cuida da originação e os investidores cuidam do funding.
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